quinta-feira, agosto 26, 2004

O QUE PROGRIDE E O QUE FICA NA MESMA

O camarada do Portugal Sempre, lançou o alerta entre a hoste nacionalista para que nos ergamos todos contra o projecto do micro-chip introduzido na pele dos cidadãos que permite ao Estado o controle meticuloso dos indivíduos, onde quer que estejam.

É desconcertante o modo como os caminhos do Ocidente estão a ir dar a coisas que já foram previstas há catrefas de anos: o tal «big brother», grande irmão, que vigia tudo e todos, aniquilando a liberdade e a privacidade, isto é, eliminando as condições sine qua non para que haja dignidade humana.

O que me surpreende é apenas o facto de isto ter sido previsto e estar a caminho de acontecer mesmo, e as pessoas deixarem, e colaborarem até. É mais um passo na construção do totalitarismo moderno, no qual Estados poderosíssimos e quase omniscientes permitem cada vez menos que algo ou alguém se lhes oponha.
Já há vários anos que os nacionalistas norte-americanos, percebendo a realização crescente disso mesmo, elaboraram o princípio da «leaderless resistence», ou seja, resistência sem líder: na acção revolucionária individual, levada a cabo por indivíduos determinados, agindo isoladamente, sem organizações, sem hierarquias, sem chefes. Trata-se de um modo de intervenção política que evita a vulnerabilidade cada vez mais inerente às organizações políticas, aos grupos de qualquer espécie, que podem cada vez mais ser vigiados e sofrer infiltrações intencionalmente destrutivas. Como diz um certo provérbio nórdico (presente no Havamal, ou «Ditos do Altíssimo», espécie de código prático e ético dos pagãos escandinavos) «Confia o teu segredo a um amigo; acautela-te com o que dizes a dois amigos; toda a gente sabe o que três pessoas sabem». O secretismo alimentado por qualquer grupo é pois algo de muito frágil, desde sempre, e agora mais do que nunca, pois que à falível natureza humana, acrescentam-se os meios cada vez mais sofisticados de espionagem. Neste contexto, um soldado político, silencioso e decidido, operando em total sigilo, pode levar a cabo acções de impacto significativo.

Quanto à medida do microchip em si, não é nada de imprevisto. Vem como consequência natural do tipo de civilização que se instituiu há muito no mundo ocidental: a vontade de controlar o indivíduo até ao âmago em nome de uma determinada moral.

O pior, nesse campo, até já foi feito, quando, com a imposição da Cristandade, se provocou no indivíduo, não apenas uma auto-censura, que isso já existiria antes, mas também uma culpabilidade pelos próprios pensamentos considerados errados pela moral vigente.

Não há nenhum controle mais eficaz e profundo do que este.

A tecnologia, é uma questão essencialmente relativa, quantitativa, numérica e, assim, relativamente contornável, conforme se use mais ou menos manha.
A consciência, não. A consciência não pode ser batida pela manha. A consciência, quando controlada por certa(s) e determinada(s) doutrina, pode converter-se na mais cruel das prisões. Não há hipótese de lhe escapar, por mais inconsciente e escapista que se queira ser.

O micro-chip referido, é sempre um polícia externo, por mais enfiado que esteja na pele ou, um dia, nos orgãos, sei lá o que é que ainda está para vir; a consciência, quando manietada e deformada, é sempre um polícia interno.

Assim, conquanto se deva resistir, desde já, ou desde ontem, a tal tipo de tecnologia intrusiva, é essencial ter-se em mente que o maior combate pela liberdade e pela verdadeira ética se situa, ontem como hoje, ao nível do espírito.